sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Uma jovem heroína

    Matilde vivia numa pequena aldeia, afastada cerca de dez quilómetros da cidade, onde estudava, frequentando o 9ºano.
   Na altura, tinha quinze anos, carregados de uma alegria imensa de viver e de conviver. Para além de alegre, era simpática, muito afável, gostava de todos os colegas da escola, de quem era verdadeiramente amiga. Era aplicada nos estudos e gostava de ajudar os seus companheiros, quando estes lhe pediam auxílio para resolver questões mais difíceis.
   Em casa, Matilde era uma menina sempre pronta para ajudar a mãe nas tarefas domésticas, sem nunca se esquecer dos seus deveres de estudo.
   Na aldeia, todas as pessoas a estimavam, porque ela fazia amizade com toda a gente e envolvia-se nas muitas atividades de convívio e de lazer que se realizavam na terra: no escutismo, no campismo, nas caminhadas semanais, na preparação das festas anuais, entre outras.
   Matilde era, assim, uma espécie de heroína, aos olhos de todos, lá na aldeia, onde a viam como uma menina exemplar.
   Um dia, quando Matilde fazia uma das suas caminhadas matinais, aos sábados, acompanhada de outros jovens, aconteceu algo que a todos surpreendeu:
   Numa casa afastada da aldeia, vivia um homem, sozinho e de idade avançada. Não tinha ninguém que o ajudasse a fazer nada. Tinha adoecido e metera-se à cama. Quando, passados alguns dias, se achou melhor, sentou-se à porta de casa, esperando pela ajuda de alguém que passasse.
   Nessa manhã de sábado, os jovens caminheiros, ao passarem por ali, viram o homem e saudaram-no.
   Respondendo à saudação, o homem disse-lhes, num tom de voz muito fraco:
   - Vocês podem fazer-me um favor? Eu não posso sair daqui, não tenho pernas para andar.
   Matilde, de imediato, respondeu:
   - Podemos fazer o favor que o senhor quiser.
   - Não tenho de comer em casa e precisava de ir à cidade buscar qualquer coisa – disse o velho.
   Matilde, com pena, disse-lhe:
   - A minha mãe tem um quarto de vago e o senhor vai lá comer connosco e descansar neste fim de semana. Quer vir?
   Um dos colegas de Matilde, o Jorge, surpreendido com a proposta feita ao homem, murmurou ao ouvido de Matilde:
   - Tu vais levar o velho lá para casa, no estado em que ele está, sem saber se a tua mãe o aceita?
   Matilde, incomodada, respondeu-lhe:
   - “Devemos fazer o bem, sem olhar a quem”, como diz o povo. E com a minha mãe falo eu…
   O homem, muito contente com a atitude daquela menina, levantou-se e decidiu ir com ela, feliz por ver uma jovem a ajudar um velhinho.
   Este gesto de solidariedade de Matilde, igual a tantos outros, que frequentemente praticava, fez crescer, ainda mais, a consideração que todos, na aldeia, tinham por ela.

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