Na altura, tinha quinze anos, carregados de uma alegria imensa de viver
e de conviver. Para além de alegre, era simpática, muito afável, gostava de
todos os colegas da escola, de quem era verdadeiramente amiga. Era aplicada nos
estudos e gostava de ajudar os seus companheiros, quando estes lhe pediam
auxílio para resolver questões mais difíceis.
Em casa, Matilde era uma menina sempre pronta para ajudar a mãe nas
tarefas domésticas, sem nunca se esquecer dos seus deveres de estudo.
Na aldeia, todas as pessoas a estimavam, porque ela fazia amizade com
toda a gente e envolvia-se nas muitas atividades de convívio e de lazer que se
realizavam na terra: no escutismo, no campismo, nas caminhadas semanais, na
preparação das festas anuais, entre outras.
Matilde era, assim, uma espécie de heroína, aos olhos de todos, lá na
aldeia, onde a viam como uma menina exemplar.
Um dia, quando Matilde fazia uma das suas caminhadas matinais, aos
sábados, acompanhada de outros jovens, aconteceu algo que a todos surpreendeu:
Numa casa afastada da aldeia, vivia um homem, sozinho e de idade avançada.
Não tinha ninguém que o ajudasse a fazer nada. Tinha adoecido e metera-se à
cama. Quando, passados alguns dias, se achou melhor, sentou-se à porta de casa,
esperando pela ajuda de alguém que passasse.
Nessa manhã de sábado, os jovens caminheiros, ao passarem por ali, viram
o homem e saudaram-no.
Respondendo à saudação, o homem disse-lhes, num tom de voz muito fraco:
- Vocês podem fazer-me um favor? Eu não posso sair daqui, não tenho
pernas para andar.
Matilde, de imediato, respondeu:
- Podemos fazer o favor que o senhor quiser.
- Não tenho de comer em casa e precisava de ir à cidade buscar qualquer
coisa – disse o velho.
Matilde, com pena, disse-lhe:
- A minha mãe tem um quarto de vago e o senhor vai lá comer connosco e
descansar neste fim de semana. Quer vir?
Um dos colegas de Matilde, o Jorge, surpreendido com a proposta feita ao
homem, murmurou ao ouvido de Matilde:
- Tu vais levar o velho lá para casa, no estado em que ele está, sem
saber se a tua mãe o aceita?
Matilde, incomodada, respondeu-lhe:
- “Devemos fazer o bem, sem olhar a quem”, como diz o povo. E com a
minha mãe falo eu…
O homem, muito contente com a atitude daquela menina, levantou-se e
decidiu ir com ela, feliz por ver uma jovem a ajudar um velhinho.
Este gesto de solidariedade de Matilde, igual a tantos outros, que
frequentemente praticava, fez crescer, ainda mais, a consideração que todos, na
aldeia, tinham por ela.
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