Chamo-me Wadyslaw Szpliman e vou contar-vos uma história que se passou comigo durante a II Guerra Mundial.
Eu sou judeu e naquela altura ser judeu não era fácil. Os alemães nazis tentaram exterminar-nos e tinha de estar constantemente a fugir e a esconder-me.
Durante uma das minhas fugas, já quando os russos estavam quase atacar os nazis, escondi-me numa casa à procura de comida e abrigo. Na cozinha encontrei uma lata de pepinos em conserva e fui para a sala, onde encontrei uma ferramenta da lareira, com a qual tentei abrir a lata. Não tinha notado a presença de ninguém, mas um nazi encontrava-se na sala comigo. Perguntou-me se conseguia perceber o que dizia, ou seja, se percebia alemão, o que estava ali a fazer e qual era a minha profissão. Respondi-lhe que percebia o que dizia, que estava a tentar abrir a lata e que era pianista.

Os alemães mudaram-se para aquela casa e eu escondi-me no sótão. O nazi que me estava a ajudar levava-me comida e bebida e, uma vez, levou-me um abridor de latas com o qual abri a minha querida lata de pepinos.
Quando os alemães se foram finalmente embora, o nazi, que já podia considerar como amigo, veio despedir-se de mim. Eu estava cheio de cobertores e panos para combater o frio. Então, como viu o meu desconforto, ele deu-me o seu casaco. Perguntei se ele tinha algum para si e respondeu-me que tinha um ainda mais quente.
Fiquei eternamente grato àquele nazi diferente de todos os outros. Tive pena de nunca ter sabido o seu nome.
Matilde
(Texto editado; imagem recolhida em http://www.taringa.net/posts/apuntes-y-monografias/13641977/El-Pianista.html)
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