Entrei. Procurei desesperadamente comida, até que, no alto
de um armário, vi uma lata de pepinos, mas, por entre alguns sons, ouvi
alemães. Rapidamente, comecei a correr sem largar a lata e entrei numa outra
casa. Peguei num garfo e tentei abri-la esfomeado. Eis que, a lata cai ao chão
e vai direta a um alemão. Este faz-me uma série de perguntas, nomeadamente o
que é que eu fazia antes de tudo isto acontecer. Eu depressa respondi «Era
pianista.». O alemão diz-me para o seguir e leva-me até uma sala com um piano
maravilhoso e pede-me que toque. Sem grandes opções, sento-me no banco do piano
e, pensativo, fico a olhar para as teclas durante algum tempo, até que comecei
a tocar. No início estava um pouco inseguro, mas depois deixei-me levar pela
música.
Quando terminei, alemão ficou estupefacto, e mais uma vez,
fez um outro questionário. A última pergunta era sobre onde eu estava instalado
e eu mostrei-lhe. O alemão ficou com
pena de mim, penso, e deu-me o seu casaco e pão. Fiquei-lhe imensamente agradecido.
A partir desse dia, o alemão ia sempre levar-me comida.
Maria Inês
(Texto editado. A sequência narrativa apresenta algumas diferenças face ao filme.)
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