Eu estava
escondido num prédio e, de repente, ouvi o bater da porta. Levantei-me em
sobressalto e apercebi-me de que se tratava da senhoria, que vinha pedir-me a renda.
Consegui reunir todos os meus bens num saco antes de abrir lentamente a porta.
Em suspenso, ela descobriu que eu era judeu e ameaçou delatar-me. Consegui então
fugir e, ao chegar à rua, meti a mão no bolso, de onde retirei um pequeno papel
com uma morada de um senhor conhecido que me iria ajudar na fuga.
Já no segundo
esconderijo, em frente a um hospital militar alemão, fui ajudado por um casal,
para onde a morada me conduziu. Foi aí que, quando o casal estava de partida, eu
adoeci e quase morri de icterícia e desnutrição. A muito custo, consegui fugir e
fui para um hospital em ruínas, onde, cozinhando, consegui sobreviver.
Mais tarde, em
agosto de 1944, a resistência polaca montou a Revolta de Varsóvia contra a
ocupação alemã. Por todo o lado, os lança chamas incendiaram tudo o que restava. Foi
aqui que eu, novamente, me vi perto da morte. Na minha fuga, sozinho, tentei
fugir saltando um muro, torcendo o pé, ficando magoado de tal forma, que mal
conseguia andar. Procurava desesperadamente comida, até que encontrei uma lata
de “cornichons”, a qual tentei abrir de qualquer maneira. Fui descoberto pelo
Capitão Wilm Hosenfeld, que me interrogou e que descobriu que sou pianista. Ao
saber disto, conduziu-me para uma sala onde me pediu que tocasse algo num piano que
sobreviveu aos ataques. Toquei então uma música de Chopin. Surpreendido, o
capitão deixou-me habitar no sótão de um prédio, onde me forneceu regularmente
alguma comida, salvando-me a vida.
Duas semanas
após, as forças alemãs evacuaram Varsóvia. Numa conversa amigável, o capitão
prometeu ouvir-me na Rádio de Varsóvia. Ofereceu-me o seu casaco para que eu
me mantivesse quente, o que mais tarde me colocou numa posição delicada, quando os
soldados polacos me confundiram com um oficial alemão. Após uma troca de
palavras, consegui convencê-los de que sou polaco.
Num grupo de
prisioneiros de um campo de concentração, estava Hosenfeld, o qual pediu a um
ex-prisioneiro, que estava de passagem, violinista e meu conhecido, para o
ajudar a libertar-se.
De volta ao
local, já nada conseguimos fazer, pois já lá não estava ninguém.
Voltei agora a
tocar na Rádio de Varsóvia.
O meu amigo
Hosenfeld tinha acabado por falecer em 1952 num campo de prisioneiros da KGB, sendo honrado postumamente por me ter salvo.
Em Varsóvia,
vou tocar agora para uma plateia que me aplaudirá de pé.
Artur
(Texto editado; conteúdo não totalmente coincidente com o filme)